RPPN

Ovídio Antônio Pires 4

Biólogo Responsável:

Rodolfo Ribeiro Junior

CRB 30.240/4-D

 

 

Caracterização geral da RPPN Ovídio Antônio Pires 4

A área da RPPN Ovídio Antônio Pires 4 está localizada no sul do Estado de Minas Gerais, no município de Bom Jardim de Minas, com área de 3 ha, de propriedade de Ovídio Antônio Pires, na propriedade denominada Dourada ou Morro do Caxambu. O tipo climático da área, segundo o IGA (1982), corresponde, na classificação de Köppen, ao tipo C, ou seja, mesotérmico úmido, do subtipo Cwb, tropical de altitude, com verões suaves, temperatura de mês mais quente inferior a 22o C, e com uma média anual de precipitação da ordem de 1.400 mm. Os meses mais chuvosos correspondem a dezembro, janeiro e fevereiro, e as menores precipitações ocorrem em junho, julho e agosto. A temperatura média na região apresenta pouca oscilação anual, variando entre 18 e 19o C, aproximadamente. A RPPN encontra-se em uma área de considerável altimetria, demonstrando que a Serra da Mantiqueira exerce grande influência sobre o relevo da área, onde se encontra a maior média brasileira de cotas altimétricas, constituindo os mares de morros. A constituição florística apresenta considerável papel na regulação dos mananciais hídricos subterrâneos e de superfície da RPPN e de seu entorno, uma vez que a sua ocorrência garante a recarga de águas subterrâneas e a manutenção dos cursos d’água observados no interior da área. A composição vegetacional da área apresenta-se bastante variada, condicionada por aspectos edáficos e climáticos bastante característicos. A composição faunística também se mostra diversificada com representantes de vários táxons de vertebrados e invertebrados. A constatação da biodiversidade acentuada associada a uma região com abundância de mananciais hídricos subterrâneos e de superfície confirma a importância da constituição da RPPN Ovídio Antônio Pires 4, como forma de promoção e garantia de sustentabilidade ambiental ao longo das gerações.

Aspectos hidrológicos

A constituição florística da RPPN assinala sua importância para a composição hidrológica da região. Na área da RPPN, as águas correntes, que constituem a província lótica, se destacam, com a presença de dois cursos d’água, denominados córrego Caxambu e córrego das Abelhas. Ao longo do córrego Caxambu ocorrem várias quedas d’água de pequeno tamanho. A província lêntica, constituída por águas paradas, como lagos e lagoas, não está presente na área da RPPN. A constatação do estado de preservação do bioma da RPPN indica que o mesmo contribui efetivamente para a recarga e a manutenção dos mananciais da área. Além disso, a disposição dos cursos d’água em uma área com poucas influências antrópicas ao longo de seu trajeto dentro da área de estudo, assinala a boa qualidade dos mananciais de superfície da RPPN.

Levantamento faunístico

Na área da RPPN pode-se observar uma boa diversidade de fauna, com representantes de diversos grupos taxonômicos. Devido à diversidade florística registrada, o local apresnta uma composição variada de organismos, sobretudo em função do tipo de formação florística. Dessa forma, a área da RPPN pode ser caracterizada por apresentar uma composição vegetacional de floresta estacional semidecídua e de campo rupestre, predominando espécies vegetais de pequeno e médio porte na área de campo e ocorrendo com maior freqüência exemplares de médio e grande porte na área de floresta, constituindo uma biodiversidade tal que condiciona uma grande variedade de ambientes para diversos grupos animais. Nos dois biomas citados, foram registrados com bastante freqüência invertebrados, com destaque para o grupo dos artrópodos, que apresenta representantes de diversos táxons. A classe Insecta dos artrópodos foi a que apresentou maior diversidade de espécies, destacando-se as or
dens Diptera (moscas), Lepidoptera (borboletas e mariposas), Orthoptera (grilos, gafanhotos e louvaa-Deus), Homoptera (cigarras), Coleoptera (besouros) e Hymenoptera (abelhas, vespas e formigas). A classe Aracnida também foi registrada no local, embora com poucos representantes, entre eles as aranhas fiandeiras. O grupo dos vertebrados também apresentou-se bastante diverso na área, com destaque para as aves que realizam um importante e intenso papel na dispersão de sementes. Foram observados pássaro-preto, trinca-ferro, joão-de-barro, fogo-apagou, bem-te-vi, andorinha-azul-e-branca, seriema e sabiá-do-peito-vermelho, entre outros. Como ave de rapina, foram registrados os gaviões caracará e carrapateiro, sobrevoando a área da RPPN. A presença de expressiva artropodofauna e ornitofauna revelou uma intensa atividade de polinização e dispersão, o que favorece a fecundação e a dispersão dos vegetais.

Levantamento florístico

Tomando como base as características observadas e a bibliografia consultada, pôde-se definir a área de estudo como de composição botânica variada, constituída por uma área de floresta estacional semidecídua, formada quase que completamente por uma comunidade clímax em avançado estágio de desenvolvimento, e uma área de campo rupestre, com vegetação rasteira e arbustiva ao longo de toda sua extensão. A área de campo rupestre apresenta-se constituída principalmente por gramíneas e arbustos nativos da região. Em algumas espécies vegetais dessa área foi observada intensa atividade de polinização, realizada por himenópteros (abelhas) e lepidópteros (borboletas), e dispersão, feita principalmente por aves. Pôde-se detectar também herbivorismo desenvolvido por várias espécies de orthópteros (grilos, gafanhotos e louva-a- Deus). Os líquens estão presentes sobre rochas e sobre o caule de alguns vegetais da área de campo rupestre. Os líquens são uma associação simbiótica entre alguns gêneros de algas verdes (clorófitas) ou cianobactérias e fungos (ascomicetos) e funcionam como instrumentos de monitoramento ambiental, pois devido a sua fragilidade são muito sensíveis aos componentes tóxicos da atmosfera poluída. Sua presença, portanto, sinaliza uma boa qualidade ambiental da área. A constituição vegetacional de toda área de campo rupestre apresenta poucas alterações, possuindo, portanto, composição relativamente homogênea. A floresta estacional semidecídua apresenta uma expressiva variedade de espécies vegetais distribuída ao longo de toda sua extensão. Como vegetais inferiores, foram observados representantes dos grupos das briófitas e pteridófitas. A maioria dos representantes florísticos da área, no entanto, pertence ao grupo dos vegetais superiores. Foram observados, sobretudo, grupos de angiospermas, com representantes de diversos táxons, amplamente distribuídos. Nesta área de floresta pôde-se observar em alguns pontos algumas lianas dispostas nos troncos das árvores. Há também uma grande incidência de líquens estabelecidos principalmente nos caules das árvores da RPPN. Ocorre um intenso epifitismo nas árvores da floresta estacional realizado por bromeliácea, orquidáceas, líquens e briófitas, entre outras formas.

Interações ecológicas de relevante interesse

A constituição florística diversificada permite o estabelecimento de diversas interações ecológicas, com destaque para melitofilia (polinização por abelhas), psicofilia (polinização por borboletas) e ornitocoria (dispersão de sementes por aves). Diversas espécies da avifauna desempenham relevante papel no controle da população de larvas de insetos e insetos adultos e na dispersão de sementes. A baixa ocorrência de espécies amensais permite a ocorrência de sucessão ecológica na área, o que favorece ainda mais a diversidade vegetal no ambiente.

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